Maria Emília Sena de Vasconcelos (1912 – 2003), das suas investigações e recolhas que reuniu no importante trabalho: «A importância das meias no traje, no lirismo, na vida popular do Alto Minho», resgatamos estas quadras tão belas acerca das meias nos trajes de Viana.
Não me belisques as meias
Vê-as de longe à vuntade
Que só mas tiras dos pés
Depois das bênçãos do Abade.
As minhas meias de linho
São cum’a toalha do altar.
O que há por baixo é sagrado,
Ninguém lhe pode tocar.
Não quero as meias de seda,
Qu’o fidalgo m’of’receu,
Quero as do linho da terra
Qu’é pobrinho cumo eu.