«Pôr ouro é beleza e indicador de abastança. Usado pelas jovens, foi sinal de casa farta e herdeira rica, com bom dote. Nas mulheres casadas, os brincos, arrecadas ou peças eram sinal de casa bem governada.
O ouro realiza beleza e valor em formas miniaturais, por isso usadas nas partes mais nobres do corpo: o rosto, o decote, as mãos. Aqui, afastava pretendentes o anel de noivado e a aliança de casamento. No colo e a fechar o decote, atraía para o seio olhares que, ao pararem no recorte rococó dum alfinete ou na beleza neoclássica duma medalha de gramalheira, visavam um pouco mais fundo. Por isso as mulheres casadas punham aí o “esmalte” do marido. E os brincos à rainha, no requebro e perfil, reproduziam a silhueta feminina que nos vem da arte pré-histórica.
E, como o sexo é sagrado, no ouro que o desvela se confeccionaram também os símbolos defensivos que são as cruzes e os amuletos, assim como os que dão fecundidade.»
Alberto A. Abreu
Em 2002 foi editado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo um portefólio com 24 postais intitulado «Ouro de Viana». A selecção das peças representadas foi da responsabilidade de Manuel Rodrigues de Freitas e as legendas e texto como o que em cima se reproduz da autoria de Alberto A. Abreu.
Numa nova iniciativa a Câmara Municipal de Viana do Castelo e o Museu Nacional de Arqueologia inauguram em 2007 a exposição “Ouro Tradicional de Viana do Castelo - Da Pré-História à Actualidade" que esteve patente no Museu Nacional de Arqueologia (Mosteiro dos Jerónimos). Dessa exposição nasceu um belíssimo catálogo com textos de Alberto A. Abreu entre outros autores.
Muito mais fica por dizer acerca do ouro. Novas publicações surgiram, e mais do que nunca o ouro dito de “Viana” está na moda!

