terça-feira, 6 de setembro de 2011

Argolas


Brincos de argola: 2,7 Ø; 4 cm de comprimento

Chapolas

A chapola consiste numa solução simples de adaptar um gancho a um elemento nobre e pendura-lo no lóbulo da orelha.
Feitos a partir de uma chapa fina de ouro, daí o nome “chapola”. Também designados de “parolos” por serem, outrora, usados pela mulher do campo, designada de “parola” pela citadina. Actualmente, estes brincos caíram em desuso nas aldeias.
Muitos destes brincos exibem quartos de lua em relevo.


Imitação em filigrana de brincos de chapola com turquesa (3 cm).

Brincos à Rainha

Diz a lenda que as mulheres de Viana teriam mandado fazer estes brincos para com este adorno receberem a visita de D. Maria II. Seja ou não verdade, os brincos à rainha são hoje adornos populares, seja em ouro, prata ou uma simples imitação em trabalho de filigrana como os brincos que aqui se vê.
Vendo brincos de filigrana em vários tamanhos e também com mola.

Brincos à Rainha: grandes 8 cm (com mola); médios 6 cm; pequenos 4,5 cm.

Ouro de Viana


«Pôr ouro é beleza e indicador de abastança. Usado pelas jovens, foi sinal de casa farta e herdeira rica, com bom dote. Nas mulheres casadas, os brincos, arrecadas ou peças eram sinal de casa bem governada.

O ouro realiza beleza e valor em formas miniaturais, por isso usadas nas partes mais nobres do corpo: o rosto, o decote, as mãos. Aqui, afastava pretendentes o anel de noivado e a aliança de casamento. No colo e a fechar o decote, atraía para o seio olhares que, ao pararem no recorte rococó dum alfinete ou na beleza neoclássica duma medalha de gramalheira, visavam um pouco mais fundo. Por isso as mulheres casadas punham aí o “esmalte” do marido. E os brincos à rainha, no requebro e perfil, reproduziam a silhueta feminina que nos vem da arte pré-histórica.

E, como o sexo é sagrado, no ouro que o desvela se confeccionaram também os símbolos defensivos que são as cruzes e os amuletos, assim como os que dão fecundidade.»

Alberto A. Abreu


Em 2002 foi editado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo um portefólio com 24 postais intitulado «Ouro de Viana». A selecção das peças representadas foi da responsabilidade de Manuel Rodrigues de Freitas e as legendas e texto como o que em cima se reproduz da autoria de Alberto A. Abreu.

Numa nova iniciativa a Câmara Municipal de Viana do Castelo e o Museu Nacional de Arqueologia inauguram em 2007 a exposição Ouro Tradicional de Viana do Castelo - Da Pré-História à Actualidade" que esteve patente no Museu Nacional de Arqueologia (Mosteiro dos Jerónimos). Dessa exposição nasceu um belíssimo catálogo com textos de Alberto A. Abreu entre outros autores.

Muito mais fica por dizer acerca do ouro. Novas publicações surgiram, e mais do que nunca o ouro dito de “Viana” está na moda!

Filigrana


Filigrana é um trabalho ornamental feito de fios muito finos e pequeninas bolas de metal, soldadas de forma a compor um desenho. O metal é geralmente usado é o ouro ou prata, mas outros metais também são usados. Actualmente filigrana é também sinónimo das peças produzidas em ouro no norte de Portugal e usadas nos trajes do Minho.
Como não podia deixar de ser, também vendemos muitas imitações de filigrana em ouro e prata. As peças são em tudo idênticas no seu trabalho e brilho às de ouro.

domingo, 22 de maio de 2011

As Meias

Maria Emília Sena de Vasconcelos (1912 – 2003), das suas investigações e recolhas que reuniu no importante trabalho: «A importância das meias no traje, no lirismo, na vida popular do Alto Minho», resgatamos estas quadras tão belas acerca das meias nos trajes de Viana.


Não me belisques as meias
Vê-as de longe à vuntade
Que só mas tiras dos pés
Depois das bênçãos do Abade.


As minhas meias de linho
São cum’a toalha do altar.
O que há por baixo é sagrado,
Ninguém lhe pode tocar.


Não quero as meias de seda,
Qu’o fidalgo m’of’receu,
Quero as do linho da terra
Qu’é pobrinho cumo eu.