Voltando novamente às palavras que Maria Emília Sena de
Vasconcelos nos deixou acerca das meias
e do seu papel no traje:
«Quanto
à meia, ou era pacientemente trabalhada
em fio finíssimo, - um luxo! – ou em linha consistente que, por tantas
vezes ser corada ao sol, acabara por ganhar uma espessura maior ainda … e mesmo
uma seca rigidez.
(…)
O fato domingueiro
não usava meias “bordadas”. Porque nessa altura, no pé, não calçava chinelas,
mas sim socos; e a madeira destes “desgastava” o pé das meias. Fazia então “peúcas” ou “meiotes”, a substitui-las,
com igual esmero na escolha e perfeição do ponto, mas que do joelho apenas desciam
até ao tornozelo. De resto também às vezes punha para trabalhar no campo uma
peúcas, mas essas geralmente lisas, no “chão” ou só com uma barrinha de “abertas”, em baixo.
Na quadra mais fria,
como quase sempre a do inverno nos cimos serranos, era vulgar recorrer
igualmente às peúcas de lã lisas ou caneladas. E para “irem ao monte”, ou ao “tojo” (…) usam enfim as mulheres uma espécie de polainas grosseiras de “faldrilha”, como dizem, “sorrebéco” ou outro tecido espesso e rude.»
In: SAMPAIO, Francisco - Maria Emília de
Belforte Cerqueira Sena de Vasconcelos. Cadernos Vianenses. Viana do Castelo:
Câmara Municipal de Viana do Castelo. Tomo 32 (2002), p. 49-64.



