Hoje transcrevo aqui um poema de Alfredo Reguengo, poeta vianense, que nos presenteou com tão inspirador poema aos trabalhos de um traje!
«O povo aldeão, naturalmente artista,
Imitador dos dons da natureza,
Criou a maravilha clorista
Que hoje se chama o Traje à Vianeza.
Reproduziu as cores que viu nos prados,
Nas folhagens, nas flores ornamentais
E estilizou-as todas em bordados
E no tecido em flores dos aventais …
Lançou depois estrelas com seus brilhos
Junto às linhas de cor das bordadeiras
Na refulgência estranha dos vidrilhos
Que ornamentam coletes e algibeiras.
A lã, deu-lha a ovelhinha branca e mansa,
O linho, esse, nasceu no seu linhar;
Depois, foi trabalhar com perseverança
Fiar, dobar, tecer, coser, bordar…
E desse imaginar de artista nato
E desse trabalhar em sonhos e b’leza,
Nasceu a maravilha desse fato
- O inimitável Traje à Vianeza…»
Poderão encontrar este belíssimo poema e muitos outros num texto de recolha de António Manuel Couto Viana, intitulado – Alguns poetas de Viana – nos Cadernos vianenses, tomo XVI (1993), e que a Biblioteca Municipal de Viana disponibiliza para consulta on-line.
sábado, 20 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
Bordados de Viana no Claustro de São Domingos
No claustro do convento de São Domingos em Viana, marcaram presença os bordados de Viana, com certificado desde Agosto de 2012.
Os bordados de Viana certificados, produzidos por Marta Prozil, também marcaram presença neste evento.
Os bordados de Viana certificados, produzidos por Marta Prozil, também marcaram presença neste evento.
VIANA CRIATIVA - “Provo o teu cheiro, Viana"
Esta mostra teve lugar nos dias nos dias 5 a 7 de Outubro e inseriu-se no evento “Provo o teu cheiro, Viana”, que concentrou entre o Largo de São Domingos e no Claustro do convento de São Domingos um conjunto de actividades, desde ateliês a mostras gastronómicas e de produtos locais e da terra, tais como doces, vinhos, hortaliças, legumes, frutas, flores e clara está, os BORDADOS DE VIANA!.
Saiba mais sobre este evento e os seus promotores aqui.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
As meias de agulha
Voltando novamente às palavras que Maria Emília Sena de
Vasconcelos nos deixou acerca das meias
e do seu papel no traje:
«Quanto
à meia, ou era pacientemente trabalhada
em fio finíssimo, - um luxo! – ou em linha consistente que, por tantas
vezes ser corada ao sol, acabara por ganhar uma espessura maior ainda … e mesmo
uma seca rigidez.
(…)
O fato domingueiro
não usava meias “bordadas”. Porque nessa altura, no pé, não calçava chinelas,
mas sim socos; e a madeira destes “desgastava” o pé das meias. Fazia então “peúcas” ou “meiotes”, a substitui-las,
com igual esmero na escolha e perfeição do ponto, mas que do joelho apenas desciam
até ao tornozelo. De resto também às vezes punha para trabalhar no campo uma
peúcas, mas essas geralmente lisas, no “chão” ou só com uma barrinha de “abertas”, em baixo.
Na quadra mais fria,
como quase sempre a do inverno nos cimos serranos, era vulgar recorrer
igualmente às peúcas de lã lisas ou caneladas. E para “irem ao monte”, ou ao “tojo” (…) usam enfim as mulheres uma espécie de polainas grosseiras de “faldrilha”, como dizem, “sorrebéco” ou outro tecido espesso e rude.»
In: SAMPAIO, Francisco - Maria Emília de
Belforte Cerqueira Sena de Vasconcelos. Cadernos Vianenses. Viana do Castelo:
Câmara Municipal de Viana do Castelo. Tomo 32 (2002), p. 49-64.
Traje de lavradeira de dó ou azul
Predominam
neste traje as cores escuras ou sóbrias
como o azul, lilás ou roxo, preto, branco pontuado de verde e amarelo.
Composto pelas seguintes peças:
v
Saia
às riscas pretas, azuis e verdes e forro preto com silva de flores, bordadas a
linha de algodão de cores diversas.
v
Camisa
de linho, com bordados a azul-escuro nas ombreiras nos punhos e na abertura do
peito.
v
Avental
de fundo escuro com flores, folhas e outros motivos em tirados de lãs de
diferentes cores.
v
Colete
de barra preta e parte superior em azul claro com bordados de lentejoulas e
linhas de algodão.
v
Meias
brancas de algodão rendadas e chinelas pretas.
v
Algibeira
em tecido azul bordada a linhas de algodão.
É
usado com um lenço da cabeça e do peito em fundo roxo franjados e às ramagens.
Ao
conjunto destes trajes azuis é dada por vezes a designação de “Traje de dó ou
luto aliviado”, caracterizado pela
predominância de cores sóbrias. A sua distinção reside mais no colorido do que
no corte das suas peças.
Usado pelas mulheres casadas, cujos maridos se
encontravam ausentes (emigrantes), era também vestido em ocasiões de luto
aliviado, daí a origem do seu nome “traje de dó”.
Este traje é também por vezes designado de “lavradeira
de Dem – Caminha”, pois predomina a cor azul e os tons sóbrios.
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