sábado, 20 de outubro de 2012

Um avental singular!

 



Está quase terminado este arrojado avental de festa que seria impar, não fosse ele uma inspiração fiel daquele que se encontra exposto no Museu do Traje de Viana Castelo e reproduzido no seu catálogo, da autoria do director do Museu do Traje, Dr. João Alpuim Botelho.


Um hino ao traje à vianeza

Hoje transcrevo aqui um poema de Alfredo Reguengo, poeta vianense, que nos presenteou com tão inspirador poema aos trabalhos de um traje!

«O povo aldeão, naturalmente artista,
Imitador dos dons da natureza,
Criou a maravilha clorista
Que hoje se chama o Traje à Vianeza.

Reproduziu as cores que viu nos prados,
Nas folhagens, nas flores ornamentais
E estilizou-as todas em bordados
             E no tecido em flores dos aventais

Lançou depois estrelas com seus brilhos
Junto às linhas de cor das bordadeiras
              Na refulgência estranha dos vidrilhos
Que ornamentam coletes e algibeiras.

A lã, deu-lha a ovelhinha branca e mansa,
O linho, esse, nasceu no seu linhar;
Depois, foi trabalhar com perseverança
Fiar, dobar, tecer, coser, bordar

E desse imaginar de artista nato
E desse trabalhar em sonhos e b’leza,
Nasceu a maravilha desse fato
                   - O inimitável Traje à Vianeza…»


Poderão encontrar este belíssimo poema e muitos outros num texto de recolha de António Manuel Couto Viana, intitulado – Alguns poetas de Viana – nos Cadernos vianenses, tomo XVI (1993), e que a Biblioteca Municipal de Viana disponibiliza para consulta on-line.

domingo, 7 de outubro de 2012

Bordados de Viana no Claustro de São Domingos

No claustro do convento de São Domingos em Viana, marcaram presença os bordados de Viana, com certificado desde Agosto de 2012.

Os bordados de Viana certificados, produzidos por Marta Prozil, também marcaram presença neste evento.

VIANA CRIATIVA - “Provo o teu cheiro, Viana"


Esta mostra teve lugar nos dias nos dias 5 a 7 de Outubro e inseriu-se no evento “Provo o teu cheiro, Viana”, que concentrou entre o Largo de São Domingos e no Claustro do convento de São Domingos um conjunto de actividades, desde ateliês a mostras gastronómicas e de produtos locais e da terra, tais como doces, vinhos, hortaliças, legumes, frutas, flores e clara está, os BORDADOS DE VIANA!.
Saiba mais sobre este evento e os seus promotores aqui.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

As meias de agulha




Voltando novamente às palavras que Maria Emília Sena de Vasconcelos nos deixou acerca das meias e do seu papel no traje:

«Quanto à meia, ou era pacientemente trabalhada em fio finíssimo, - um luxo! – ou em linha consistente que, por tantas vezes ser corada ao sol, acabara por ganhar uma espessura maior ainda … e mesmo uma seca rigidez.
(…)
O fato domingueiro não usava meias “bordadas”. Porque nessa altura, no pé, não calçava chinelas, mas sim socos; e a madeira destes “desgastava” o pé das meias. Fazia então “peúcas” ou “meiotes”, a substitui-las, com igual esmero na escolha e perfeição do ponto, mas que do joelho apenas desciam até ao tornozelo. De resto também às vezes punha para trabalhar no campo uma peúcas, mas essas geralmente lisas, no “chão” ou só com uma barrinha de “abertas”, em baixo.
Na quadra mais fria, como quase sempre a do inverno nos cimos serranos, era vulgar recorrer igualmente às peúcas de lã lisas ou caneladas. E para “irem ao monte”, ou ao “tojo” (…) usam enfim as mulheres uma espécie de polainas grosseiras de “faldrilha”, como dizem, “sorrebéco” ou outro tecido espesso e rude.»

In: SAMPAIO, Francisco - Maria Emília de Belforte Cerqueira Sena de Vasconcelos. Cadernos Vianenses. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo. Tomo 32 (2002), p. 49-64.

Traje de lavradeira vermelho