quarta-feira, 29 de maio de 2013

Acerca das Algibeiras


in Cláudio Basto - Traje à Vianesa

Algibeira – s.f. Bolsa; saquinho que as mulheres atam à cintura. Andar com as mãos nas algibeiras, andar ocioso. Meter os pés nas algibeiras de, caçoar disfarçadamente de.
LELLO ESCOLAR: NOVO DICIONARIO ILUSTRADO DA LINGUA PORTUGUESA... . Porto: Lello & Irmão, 1990



Origem
Termo de origem árabe. A algibeira como peça do vestuário feminino permaneceu no traje popular como uma peça escondida dos olhares estranhos, era inicialmente uma peça interior.

A algibeira no traje do Minho
No Minho, no traje popular a algibeira passa a ser usada como um acessório externo, usada entre a saia e o avental.
Atada à cintura no lado direito (exepto dos trajes de noiva que é colocada no lado esquerdo), por meio de fitas, a algibeira ficava assim escondida entre a saia e o avental, é ao mesmo tempo decorativo e funcional.


A algibeira, duns vinte e cinco centimetros de comprimento, usa-se por baixo do avental, na altura da aberta da saia, aparecendo mignone e um pouco a medo de fora, pois, além do dinheiro, serve para guardar o terço com que se reza ao Senhor e o lenço marcado a ponto de cruz donde consta o amor em lindas quadras populares1.
A maioria das algibeiras apresenta um pequeno bolso escondido, chamado de “segredo” que resulta do rasgamento do bolso pela costura que destacava o respectivo opérculo e o revirava para tapar a bolsa do “segredo” 2.
A sua forma simula um coração, e lembra as formas generosas de uma vénus. 


Materiais e ornamentos
Eram em flanela vermelha, bordadas a fio branco, fio de lã colorido amarelo, verde e roxo nos dois recortes centrais e aplicações de tecidos de outra cor, geralmente preta, que se destacava do fundo vermelho. Os contornos das aplicações eram bordados com um ponto de fantasia de cor garrida (geralmente amarela, para sobressair do vermelho e do preto), salpicada de lentejoilas e vidrilhos3




Algibeira de trabalho domingueiro in: Artes e tradições de Viana do Castelo





Tão raro é não ver nelas figurar as palavras: VIANA – AMOR.
Amadeu Costa



Fontes:
1 PAÇO, Afonso do - Etnografia vianesa: colectânea de trabalhos de etnografia. Viana do Castelo: Câmara Municipal, 1994, p. 46-47.

2 ABREU, Alberto Antunes de - O traje à vianesa e a roupa que vestimos. Viana do Castelo: Junta de Freguesia da Meadela, 2010, p. 83.

3 Idem, Ibidem, p. 83.



domingo, 28 de abril de 2013

Trajes vermelhos de lavradeira





Quando a torta abraçou o chafariz!


De olhos postos nos chapéus altos de pasteleiro, as pessoas aguardavam os trabalhos de preparação para a montagem da torta de Viana, a torta gigante que iria abraçar o chafariz da Praça da República.

Um gigante coração doce de torta de Viana deu forma a esta festa, assente nas belas toalhas de bordado de Viana da Casa Marta Prozil, que tanto embelezaram este coração.

A organização deste evento doce na tarde de 27 de Abril coube à Câmara Municipal de Viana do Castelo e APHORT – Associação Portuguesa de Hotelaria e Restauração e Turismo.

As toalhas bordadas que se vêem no evento foram fornecidas pela Casa Marta Prozil.







domingo, 21 de abril de 2013

«Viana do Castelo - O bordado que se tornou uma batalha das mulheres vianenses»


«A necessidade aliada ao espírito empreendedor de Geminiana Branco, uma minhota do início do século XX, colocou o Bordado de Viana nas notícias e em exposições em Portugal e além-fronteiras. Este labor tornou-se, então, meio de subsistência para muitas mulheres. Hoje é um produto certificado e dinamizador da economia local. Marta Prozil, herdeira de uma longa linhagem de bordadeiras, faz actualmente do tradicional bordado um meio de subsistência.»

O jornal online Café Portugal, publicou esta notícia acerca da história dos bordados de Viana e excertos da entrevista dada por Marta Prozil na última BTL 2013 – Feira Internacional de Turismo, no Parque das Nações, em Lisboa. 

Texto e imagem de Sara Pelicano, Café Portugal.