Adelina Berta de Oliveira (1910 - ), uma das primeiras discentes femininas a frequentar
a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, deixando-se apaixonar pelo traje à
vianesa, descreveu muitas das suas peças com bastante rigor e sentido estético como é o caso da camisa do traje à vianesa.
A camisa é de linho, comprida e,
primitivamente, chegava quase aos pés, sendo hoje mais curta porque as saias
subiram. É formada por duas partes: uma superior, quase até à anca,
confeccionada com linho mais fino; outra para baixo da cintura, a fralda, de linho mais grosseiro, por
vezes estopa, servindo esta parte de conjunto como saia junto ao corpo. Não há
nesta peça de vestuário cortes em curvas, a não ser na zona do pescoço.
As mangas prendem-se ao corpo sempre em linha
recta tendo na parte inferior da cava
um quadrado de pano a dar-lhe o feitio arredondado, existindo igualmente uma
costura no ombro ....
A manga, feita de um só pano e com a largura
de metade do corpo, tem no ombro uns franzidos em pregas pequeniníssimas e
unidas, onde os pontos que as seguram formam caprichosos e regulares desenhos.
Estes franzidos denominam-se na região como pregas
de imprensa. A manga termina geralmente em punho apertado, bordado,
rematado por recorte ou renda, e a sua união com a manga tem de ser
intensamente franzida, aparecendo em algumas, das mais antigas, novamente os
tais franzidos de imprensa. A camisa
tem uma abertura à frente e é subida, sendo o decote talhado em redondo e
rematado por bordado ou renda.
In: Oliveira, Adelina Berta de - Subsídios para o estudo
de decoração do traje regional de Viana do Castelo. Viana do
Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2007, p. 35