Apontamento ao aparecimento e utilização dos vidrilhos no vestuário
Os vidrilhos e missangas adornam alguns
dos mais belos e luxuosos trajes populares de Viana. Ainda que não tenha
descoberto quando e como se iniciou a utilização destes materiais nos trajes populares
de Viana, existem fotografias com mais de 100 anos que atestam a sua
utilização.
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| Revista Ilustração Portugueza de 9 de Março de 1914 |
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O fabrico destas pequenas contas ou
tubos ocos em vidro, iniciou-se em Itália. O desenvolvimento da indústria
vidreira veneziana levou ao aparecimento dos vidrilhos e a sua utilização no
vestuário no chamado período renascentista, por volta de 1500.
Um dos exemplos mais queridos de beleza
e sofisticação no vestuário europeu da época, foi o de Isabel de Portugal (1503–1539), imperatriz por casamento com Carlos V, rei de Espanha e imperador do Sacro Império Romano Germânico, que teria certamente
usado contas em vidro e vidrilhos nos seus vestidos e acessórios.
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| Ticiano - Imperatriz Isabel de Portugal |
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O comércio de artigos de luxo e
acessórios coloridos foi reorganizado através de Espanha, obrigando os
italianos a reagir aumentando a produção destes pequenos vidros.
Mas não nos podemos esquecer que os
recém criados vidrilhos eram um artigo caríssimo só disponível para as classes
mais altas que dispunham de bordadeiras especializadas na técnica do vidrilho.
Durante o renascimento, a utilização
dos vidrilhos nos tecidos conferia-lhe uma qualidade superior, e por isso os
venezianos guardaram o segredo do seu fabrico durante muito tempo junto dos
seus mestres vidreiros.
Com o advento da industrialização o
fabrico de contas, missangas e vidrilhos deixa de ser manual, e os italianos perdem
o seu monopólio para as fábricas vidreiras que se instalam na região da Boémia e da actual República
Checa.
Hoje os vidrilhos continuam a ser uma matéria-prima
cara, porque importada, usada apenas nos trajes festivos e de luxo um pouco por todo o
Minho, mas que já se encontravam ao alcance de muitas mulheres no século XIX,
fruto da maior abertura do país ao estrangeiro, quem sabe…
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| Traje preto de cerimónia. Fotografia de Manuel Carneiro |