Dedico este apontamento a todos os artesãos e artesãs pelo mundo fora, e dedico-o com um carinho especial à minha mãe, a Marta Prozil.
As artes e ofícios tradicionais, hoje associados ao
artesanato, como forma de expressão de uma tradição popular regional, com
raízes marcadamente populares, são herança do período medieval que levou à
organização dos ofícios e mesteres em «corporações», ou seja: a organização de
operários ou artesãos por ramos de unidades de produção artesanal.
Se artesão é aquele que labora com as mãos, e do produto do
seu trabalho resulta o artesanato, este mergulha as suas raízes nessas artes
tradicionais, “espaço por excelência de transmissão de saberes herdados”, de
artesãos e profissionais hoje quase desaparecidos.
Citando Álvaro Campelo:
«A organização da produção, valorização e divulgação deste
património artesanal é um desafio para as comunidades e para os responsáveis
culturais, políticos e económicos. Será a melhor conjugação do seu valor
cultural e patrimonial com a rentabilidade económica, juntamente com o processo
de transmissão de saberes à novas gerações, que irá permitir a manutenção do
papel significativo que teve na comunidade produtora e, agora, dentro de um
turismo cultural, sensível a este produto.»
in CAMPELO, Álvaro - Património
Imaterial de Ponte de Lima. Ponte de Lima: Município de Ponte de Lima,
2007, p. 208.
O artesão fabricante de chinelas Manuel da Cunha, mais conhecido como "João Duro" (Foto de Boa-Morte 2008).
As minhas chinelas feitas por João Duro e já usadas em algumas romarias!
Mónica Prozil